sábado, 8 de setembro de 2007

Crystal Flowers, Montale Paris



Se eu pudesse escolher um floral que simboliza a intersecção entre Sa Majestè la Rose (com rosas) e Un Lys (com lírios), ambos de Serge Lutens acrescido de flores mais adocicadas na formulação envoltas em nuances mais alcóolicas e com uma proposta mais orientalizada e sensual, este perfume seria Crystal Flowers de Montale.
A fragrância é um floral oriental encorpado por uma saída de rosas, que evoluí constantemente agregando novas flores, principalmente o lírio do vale, fechando o perfume com uma base de musk mais doce e de excelente fixação, tendo em vista uma fragrância baseada em flores muito sutis como alicerce do perfume.
Em Crystal Flowers, as rosas não murcham. Elas estão sempre brilhantes como se as pétalas refletissem o sol de uma campestre primavera, acompanhando o esplendor do bouquet de flores
para o constante regozijo da estação.
A primeira nota de saída foi como o desabrochar de uma rosa, não tão sintética em comparação a tantas outras do mercado mas também não era uma "in natura" com a de Sa Majestè la Rose. Ela acompanha uma nota com a qual estou me familiarizando que é o ambergris, muito comum na perfumaria árabe, que por sinal também é fonte de inspiração para Montale na sua série Oud. O ambegris tem um particularidade mais adocicável e terrena dentro da perfumaria oriental, por isso creio que ele é fundamental para caracterizar não só a intimidade de Montale com este nicho e as consequentes influências em sua criação Crystal Flowers, como também tornar as rosas deste perfume mais apegadas a um aspecto de campo, de estar ligado à terra, fazendo-me lembrar das rosas de Damasco, tão cultivadas no Oriente para adornarem o ambiente e as pessoas, ligadas a um aspecto mais familiar, de amar o que está atado à terra e a tudo que é a base de um ser humano como a família. A partir deste raciocínio que a nota de saída de Crystal Flowers lança uma rosa bem diferente da de Serge Lutens, nomeada como um rosa de apelo espiritual, de tão virginal.






Com a evolução do perfume, é possível ver que a constância das rosas orientais é impactada pela maravilhosa atuação do lírio do vale e algumas flores que se assemelham um pouco ao jasmin. O musk torna-se mais intimista a ponto de marcar na pele a necessidade de rosas em permanente atuação e de um perfume autosustentável.
A presença do lírio do vale é fundamental nesta fragrância para dar-lhe um aspecto de bouquet mais sensual e diverso. Se o perfume fosse perseguido somente pelas rosas, provavelmente seria romântico demais. No caso do lírio do vale, ele tem uma dupla função: trazer uma nova "felicidade", em termos aromáticos, para quem usa a fragrância e resgatar no perfume a sedução de um floral delicado, dado sua pecularidade tóxica. Por causa dele é que penso em Crystal Flowers como o perfume ideal para noivas, principalmente as que se casam durante o dia, em pleno campo.





Noivas têm que estar impecáveis como seus vestidos brancos e seus buquês vivazes, mas o perfume não precisa ser tão vivo. Ele só tem que vesti-las para a celebração, lembrando este lado mais puro da cerimônia como regado pelo aroma romântico das rosas. Por outro lado, noivas também são sensuais e comemoram o momento, como belas mulheres que encontraram os seus amores, aqueles que depois do altar as levarão para um momento revelador. Alguém que as desvendará em seu momento mais intoxicante, como o lírio que surge neste floral oriental. O amor romântico e a sensualidade sutil são reveladas em Crystal Flowers e convivem felizes para sempre.






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