sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Prada Amber pour Homme, Prada


Foi uma grande ilusão pensar em Prada Man como mais um oriental tão enigmático, exótico e poderoso quanto o début feminino Prada EDP. Neste páreo, as mulheres sairam ganhando e, mais uma vez, foram previlegiadas pelo bom gosto da marca da estilista Miuccia Prada.
Não encaro o perfume um fracasso, pelo contrário, ele é agradável quando bem avaliado, levando em conta o estilo masculino Prada de ser, que considero bem diferente do requinte que pode ser dado de forma mais exuberante à mulher Prada. O perfume masculino é um fóugere fresco diferenciado que recupera o homem clean de todas as formas. Considere aqui o termo "clean" como algo que não é over; algo que é simples, requintado e leve. Logo, o perfume faz menção a este homem: o versátil para o qual os próprios vestir, presença, abordagem e perfume têm que ser clean.
O começo de Prada Amber pour Homme abre notas frescas de bergamota com uma saída que lembra água de colônia, refrescante como uma lavanda.
É como se o homem acabasse de sair do banho. Esta saída da fragrância reflete um clima de Toilette ao homem; não qualquer tipo de fóugere descartável caracterizado como uma continuidade de um sabonete mas um fóugere que evidencia toques de vétiver envolvidos, posteriormente, por um aspecto floral unissex dada a presença da flor de laranjeira a qual orquestra bem a evolução do perfume com a bergamota inicial. Essa evolução é como o retrato do homem que, após este momento intimista, vestirá uma roupa bacana e continuará sendo discreto com algum toque especial. A discrição aqui é essa possibilidade de ter um perfume que não faz o estilo felino do sexo masculino e necessidade de chamar a atenção com um perfume sedutor, quase que afrodisíaco. Esta não é a intenção de Prada Man. Julgo que a intenção é a naturalidade com estilo.
À medida que o perfume se estabiliza, além da sempre presente bergamota adocicando o frescor da fragrância, é evidente a percepção de que o perfume tem um fundo bem anticonvencional com relação à nota de couro. Foi esta característica que salvou o perfume, na minha opinião. Normalmente notas de couros me causam um estranhamento que fica na fronteira entre a vontade de aceitá-las de forma impulsiva e a vontade de repugná-las por completo. Soam muito mais como repugnantes e invasivas como um estranho no ninho. No caso de Prada, a nota de couro é aveludada , agradável e onipresente. Esta onipresença pacífica da nota é o que o adjetiva como um fóugere diferenciado. Desde a concepção do perfume, estava claro que um dos acordes da fragrância seria o couro e o considero a base do perfume, junto com o amber e as notas fòugeres. O diferencial dele é exatamente este: um couro macio que já estabelece a partir das notas de saída um outro acorde para as notas de coração e fundo nas quais ele atua como protagonista. Um protagonista nada ordinário como tantos outros couros da perfumaria.
Posso até dizer que além de onipresente, a nota é onisciente. É como se ela soubesse toda a evolução do perfume e onde ela precisaria estar para não tornar Prada mais um lançamento elementar.
Assim como o império italiano de artigos de couro herdado por Miuccia Prada possibilitou a sua ascensão , também o couro parece ter possibilitado a Prada Amber pour homme algum tipo de elevação. Pelo menos, salvou-o da queda iminente de perfumes tão esperados e fracassados.

2 comentários:

Henrique disse...

Minha percepção bateu com a sua Cris. O Prada masculino tinha tudo para ser um perfume sem graça e sem personalidade, mas há algo que salva ele mesmo, como que um segredo íntimo, que só será compartilhado com uma pessoa que realmente o mereça. É o homem clássico, simples, mas com o seu charme e seus truques na manga, que só aparecem nas horas certas.

Rosa Negra disse...

Exatamente Rick. Eu acredito que o mistério, que relaciono mais à base do perfume, faz parte da idealização conjunta do perfumista com a estilista Miuccia Prada. Parece-me que ela contribuiu bastante com a idealização da fragrância, usando como inspiração a figura masculina da sua família que estava intimamente ligada à elegância do couro e do nome Prada. Algum segredinho de família.