domingo, 15 de julho de 2007

Perfume Review: Miel de Bois, Serge Lutens


Um perfume maravilhoso... um doce de fragrância, composta por um mel raro, preciosamente silvestre. Diria que é como imaginar o mel envolto em todo o corpo em uma atmosfera oriental e de mistério, entre lençois nobres e egípcios. O mel que se converte como um acompanhante íntimo no aconchego do quarto.
É um mel balsâmico, daqueles que cobrem o corpo como veludo assim como a abelha que repousa sobre a flor... como uma imagem poética da natureza que se converte em uma imagem real dentro da intimidade dos lençois. Que bálsamo! Eu diria até mais, parece um óleo puro, um extra virgem feito por um mel fino e ao mesmo tempo tão consistente; feito por aquelas abelhas grandes, poderosas e com temperamento efervescente. Há certa inquietação no mel que mesclado ao amadeirado parece causar explosões olfáticas, liberando mais mel. No momento quando o Mel e as madeiras se encontram e transitam notas entre eles é como um efeito mágico , quase que hipnótico. O perfume consegue ser simples (mel e madeiras), mas exercer um atração como um feitiço. Quisera eu derramar este bálsamo de mel sobre mim, saciar-me com este cálice da natureza... nada santo, totalmente profano.









2 comentários:

Cris Rosa Negra disse...

Respondendo a questão de um leitor:
Olá. Quais suas impressões sobre o "Miel de Bois"???? Por ventura, sentiu na base algo que remetesse à urina de gato????? Uma nota levemente ardida e semi-fétida?????

Resposta da Cris Rosa Negra:
Eu escrevi sobre o Miel de Bois no blog, bem no começo e foi algo muito mais enfático no mel balsâmico e amadeirado, como se o néctar extraído pelas abelhas, escorrese pelos lábios e língua, explodindo sensações mais primitivas, profanas dignas do poder de criação de uma abelha rainha.
De fato, há algo sujo no Miel de Bois mas não comparo nem com urina e nem com adjetivos como ardida e semi-fétida. No contexto do miel de Bois, o animálico é bem delicado pois advém de um vôo nupcial e instintivo de uma noiva abelha rainha; é como uma secreção da natureza, a abelha excreta seu aroma como um doce prurido, fino, de caratér feromonial que desmancha em suas cavidades como um pré-gozo. Este cheiro animálico é intencional para atrair o acasalamento e, no mais doce sujo dos aromas, a fecundação. É um perfume mais feminino simplesmente porque a abelha rainha reina e o macho morre, mortalmente assassinado, praticamente ele é um objeto de escolha e de uso, merecedor da morte pós coito, pós fugaz prazer.

Italo Wolff disse...

Pois é doce e mortal!