segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Perfume Review: Kelly Calèche, Hermès

By Italo Wolff

Hermès, uma das mais fabulosas grifes de couro da França, com seu logotipo que resume maior parte de sua história, começou tímida no ano de 1837 produzindo arreios para cavalos, peças indispensáveis para o transporte seguro das carruagens luxuosas da época que transportavam a mais alta aristocracia francesa, daí para a produção de acessórios de luxo foi um simples passo de ousadia de seu fundador Thierry Hermès, sejam seus lenços, gravatas, cachecóis de seda ou suas bolsas batizadas em homenagem a grande Grace Kelly, “princesa atriz” soberana nas telas de cinema durante as décadas de 40 e 50 e também nos salões de baile de seu palácio em Mônaco.







Hermès traz consigo essa aura de encanto nobre, de conto de fadas real, de uma vida “perfeita” sem preocupações e problemas, em meados de 2007 a marca decide revisar um de seus clássicos perfumados sob direção de seu perfumista exclusivo Jean-Claude Ellena, uma tarefa nada fácil lhe foi concedida, tornar o best-seller Calèche da década de 60 em um perfume moderno e jovial, tirar as arestas cobertas de poeira que o implacável tempo deixa em todas as coisas. Com essa idéia fixa na mente Jean-Claude Ellena apaixonado pela perfumaria arte decide que as notas florais deveriam permanecer no blend de seu novo perfume para manter a assinatura olfativa de seu antecessor, mas acordes um pouco mais limpos e refrescantes deveriam ser mesclados ao sutil toque de couro de sua nova base. Assim surge Kelly Calèche, que homenageia dois ícones da história da Maison Hermès, a Bolsa Kelly e o fabuloso perfume Calèche.




A primeira impressão ao ver o Kelly Calèche em sua embalagem clássica com uma tampa de couro marrom, detalhes prateados e seu líquido sutilmente tingido de rosa é a de suavidade e conforto. Com o borrifar do delicado líquido surge um aroma deliciosamente refrescante e luminoso, composto basicamente de lírio do vale e pomelo, as notas oficiais dessa fase incluem nesse primeiro momento narciso, mas confesso que se essa nota realmente existe na saída é muito discreta, o que abre brecha para a faceta floral branca de lírio do vale se manifestar de maneira ampla e fresca tão somente pelo aroma revigorante e suculento do pomelo.


Momentos depois do toque pálido e revigorante das notas de saída o perfume abre uma fase floral bem equilibrada de tuberosa e rosa, as duas flores combinam-se como em um bouquet ornamental, exalando sutilmente seu doce e delicado aroma, os acordes de couro começam discretamente a surgir trazendo consigo o début do perfume que teria de envolver tanto as notas florais de Calèche como a confortável textura da bolsa de mão Kelly, objeto desejado por milhares de mulheres ao redor do mundo como símbolo de luxo clássico. O cheiro de couro apresenta-se cada vez mais desnudo nas horas seguintes com um leve toque atalcado de íris que em alguns momentos podem remeter à Prada Infusion D'Iris, mas com muitas diferenças. Diferente de Calèche, Kelly Calèche é facilmente compartilhável entre sexos, não trazendo um rótulo exclusivamente masculino ou feminino.






Com a continuada evolução percebe-se couro, íris e rosa misturadas em um blend extremamente confortável e duradouro mantendo sua refrescância cheia de vigor desde a saída até a ultima pulsação em nossa pele, Kelly Calèche é um perfume que não agride as narinas, mas que se mescla ao cheiro natural de nossa pele criando assim em cada corpo um cheiro diferenciado de magníficas notas trabalhadas de modo genialmente equilibrado, um fabuloso "skin perfume".







O que poderia ser apenas mais um flanker sem originalidade torna-se um perfume ainda mais brilhante e complexo que o seu antecessor, mostrando que com criatividade e boa vontade de fazer bem e com qualidade, a indústria de perfumes pode sair do caos criativo em que se encontra na ultima década. Monsieur Ellena se mostra mais uma vez comprometido no que faz trazendo para nosso olfato a fantasia e a classe que só marcas de tradição secular podem fazer.


Versão avaliada: Eau de Toilette
Poder de fixação: 6 a 8 horas

Drydown: Floral amadeirado atalcado com toques de couro

Sillage: médio

Notas: Lírio do vale, narciso, pomelo(grapefruit), tuberosa, rosa, couro e íris

Perfumista: Jean-Claude Ellena



Italo Wolff é escritor de perfumes de Alagoas (Brasil) e colaborador exclusivo para o Perfume da Rosa Negra.



(English version)


Hermès, one of the most fabulous leather brands from France, with its logo that transmits most of its history started gradually in 1837 producing harnesses for horses, key pieces for the safe transport of luxury cars in old times which carried the highest level of the French aristocracy, then to the production of luxury accessories was a simple daring step of its founder Thierry Hermès, be in its neckerchieves, ties, silk scarves, be in its Kelly bags , name given in homage for the great Grace Kelly, "actress princess" on the cinema screens during the decades of 40 and 50 and also in the ballroom of her palace in Monaco.


Hermès has this aura of noble charm as one in a fairy tale, of a real perfect life without concerns and problems. In 2007 the brand decided to review one of its classic fragrances under the direction of its exclusive “nèz” Jean-Claude Ellena,without doubts, a task not so easy when comparing to review a 60's best-seller as Calèche and transform it into a modern and youthful fragrance. With this idea in his mind, Jean-Claude Ellena, a passionate for perfumery-art decided that the floral notes should be kept in Kelly Calèche in order to keep the olfactory signature of its predecessor, but accords should be a little cleaner and refreshing and mixed to the subtle leathery touch in a new base. This is how Kelly Caleche was born, which honor two icons of the Maison Hermès history, the Kelly bag and the fabulous Calèche perfume.


The first impression when looking at Kelly Calèche in its classic packaging with its brown leather cap, featuring silvered details and its slightly tinted pink liquid is the smoothness and comfort. With the delicate spray of its liquid, it starts a delicious refreshing and sparkling scent, composed by lily-of- the-valley and grapefruit, the official notes of this first phase include also narcissus, but I confess this note is very subtle in the fragrance opening what opens more space for a white facet of muguet evoked in a huge and fresh way with the revigorating and succulent grapefruit scent.


Later, after the crisp touches of its start, the fragrance opens a balanced floral phase with tuberose and rose, both flowers are combined in an ornamental bouquet, exhaling subtly a sweet and delicate scent, leathery accords start also slightly to appear bringing with themselves the début of the perfume that should involve as well its floral notes as the comfortable texture of the Kelly bag - the desirable object of thousand of women over all the world as symbol of classic luxury. The scent of leather becomes more proeminent next hours with a light iris powdery touch that , in some moments, remind of Prada Infusion D'Iris but with many differences. Different from Calèche, Kelly Calèche is easily wearable between sexes and doesn't seem to be labeled as a male or female fragrance.


With its continuous development, leather, iris and rose blended into a perfume extremely confortable and long lasting are perceived, keeping its refreshness full of vigour since its start to the last pulse on our skin, Kelly Calèche is a perfume that doesn't harm the noses, but is blended to the natural skin scent creating as well as in each body a distinctive scent of magnificent notes worked in a brilliant balanced way, a fabulous "skin-perfume".


What would be only one more flanker without originality becomes a more sparkling and complex fragrance than its predecessor, providing that with creativity and good will to make well and with quality the perfume industry can leave the creative chaos in which is in last decade. Monsieur Ellena demonstrates one more time his commitment in bringing to our olfaction the fantasy and the class that only brands of secular tradition are able to create.


Evaluated version: Eau de Toilette
Long-lasting power: 6 to 8 hours

Drydown: Floral woody powdery with a touch of leather

Sillage: medium

Notes: Lily-of-the-valley, narcissus, grapefruit, tuberose, rose,leather and iris
Perfumer: Jean-Claude Ellena


Italo Wolff is fragrance writer from Alagoas, Brazil and is collaborator for Perfume da Rosa Negra.


Perfume Review by Copyright Italo Wolff for Perfume da Rosa Negra.
Photo credits: Kelly Calèche by Hermès. Calèche bottle from Basenotes.Net as source. Grace Kelly photo as Bossa Rosa
as source.

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