quarta-feira, 2 de julho de 2008

My Queen, Alexander McQueen


My Queen, lançado pelo estilista britânico Alexander McQueen em 2005 é um culto à rainha multifacetada existente em mulheres sensualmente femininas; aquela que cativa com sua beleza e atitudes cristalinas como uma arte em vidro, digna de uma contemplação sensível e arrebatadora.
Assim como cristais de vidro que formam um caledoscópio de predicativos em cada faceta, o frasco de My Queen representa a virtuosidade desta rainha tão rara: encantadora, luminosa, misteriosa e sedutora. Tais predicativos estão refletidos no diferencial do perfume segundo concepção dos seus criadores,
que dividiram a fragrância em quatro camadas olfativas, cada uma qualificando a rainha sob a ótica de McQueen.
A camada do ser encantadora leva notas de Violeta de Parma e amêndoas doces, a do ser luminosa leva flor de laranjeira, almíscar branco e heliotropo, a do ser misteriosa tem notas de vétiver,patchouli e cedro e a do ser sedutora,notas de iris e baunilha. Uma configuração olfativa digna e promissora para belas rainhas, donas de tronos imperiais envoltos com este majestoso floral oriental.

Na minha experiência com My Queen, borrifei o perfume e, de repente, fui transportada para o meu reino, medieval e longíquo. Havia uma atmosfera de sonho, enfumaçada, nebulosa com nuances lilases e roxas e o aroma das violetas se transformaram em um ar primordial para minha existência. A suavidade das violetas era abalada por uma doçura olfativa que agia com estas flores, as deixando com um perfume mais natural e uma sensação mais terna. Era como se o jardim de violetas do meu palácio fosse abraçar-me por inteira e, de fato, abraçou-me e, naquele momento, eu fui coroada.



Atada ao cheiro de doces violetas, My Queen abriu as portas do meu reinado mágico, onde não existia a formalidade de pesadas roupas da corte. Trajada de um vestido fluído, incrementado por muitas camadas de nobre chiffon lilás, sentia-me esvoaçante como a pétala de uma flor que é soprada ao ar. Ondas voluptuosas do vestido tocavam meu corpo, misturavam-se ao odor floral e instigante da exótica violeta e toda minha pele e traje era My Queen. Éramos um só corpo, a fragrância e eu, livres para correr pelo meu jardim encantado e exalar o meu envolvimento com a realeza, descobrir a minha própria majestade.

Mergulhada neste sonho floral, senti o aroma luminoso e cítrico da laranja, muito tênue. Não era o cítrico convencional, mas um toque de frescor como uma brisa que tocava minha face de rainha e exaltava mais a naturalidade de minha beleza. Naquele instante, o aroma das violetas se diluía, ainda leve mas presente e começava a dar espaço a uma nova paisagem su(rreal). As flores brancas mescladas a um toque sinuoso de patchouli ao fundo dividia minhas sensações entre o romantismo e sedução, a leveza e a força, o etéreo e o terreno, a imortal e a mortal, a meiguice de uma princesa e a exuberância de uma rainha. Com estas sensações, eu era como uma Arwen Undómiel de carne e osso, real e, paradoxalmente, intangível como uma rainha da fantasia.
A entrada de notas discretas de madeiras e baunilha, com a eterna violeta como protagonista fecharam a evolução final do perfume e me eternalizaram como a rainha dos sonhos de McQueen ou, pelo menos, do meu próprio sonho perfumado e colorido com as mais belas violetas.

Site oficial: Alexander McQueen
Visite o belíssimo site Alexander McQueen Parfums
Fotos: publicidade My Queen, violet flower e Arwen Undómiel do filme o Senhor dos Anéis.

5 comentários:

Luís Augusto disse...

Luxo!

Italo Wolff disse...

Rosa, já és deslumbrante em trajes de nosso seculo, quem dera ver a ti em uma roupa da realeza de uma era distante!

Átila Rodolfo disse...

Devo confessar que pela primeira vez na minha vida fiquei arrepiado ao ler uma impressão pessoal sobre um perfume. Tenha certeza Cris, pela sua força e intuição "élficas", que não foi o perfume quem te inspirou. Você inspirou este perfume, mesmo que em sonhos. Parabéns pelas encantadoras palavras.

Vanessa disse...

Oi Rosa,gostei bastante do seu relato sobre o MY QUEEN, que lembra princesas e rainhas medievais.
Anda muito inspirada.

Cris Rosa Negra disse...

Bem vindos! Sim, naquele palácio medieval longíquo, de vidros multifacetados e um luxuoso jardim de violetas que se embrenhava por um grande portal imperial, ali eu e My Queen éramos um só corpo, rainha e perfume-rei.