quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Perfumaria árabe - um pouco da história dos attars


Attar é uma palavra persa e significa fragrância ou essência. Na perfumaria árabe, a maioria dos attars não contém alcool e são óleos altamente concentrados. O termo attar é usado para descrever tanto a produção como a aplicação destes óleos e abrange não somente o oriente médio como também outros orientes como Indía, Cambojia, Cingapura entre outros. Durante a antiguidade, pessoas usavam flores doces e cheirosas, colocando-as em uma cesta e mantendo em seus cômodos, banhando-se com elas ou simplesmente usando-as no cabelo ou no ombro para energizar os lugares onde moravam ou eles próprios. Folhas de árvores e especiarias também eram usadas para este propósito.
A arte de extrair o óleo para criar perfumes foi adquirida bem depois. Hoje a perfumaria sofre a demanda tanto do oriente como do ocidente, sempre ávidos por essências exóticas e intoxicantes. Estes attars são extraídos de várias flores, óleos mesclados entre si para que se possa produzir maravilhosos aromas que não sejam à base de álcool, já que este é um grande diferencial para esse nicho da perfumaria. Muitos attars são derivados de extratos de plantas e há uma variedade de aromas que podem ser formados entre si , através de óleos, resinas ou concentrados; ou simplesmente serem considerados como óleos individuais, como é o caso do Dhen Al Oudh que é o óleo amadeirado (normalmente com o famoso Agarwood), sem passar pela mistura de outros óleos como o óleo de rosa, jasmin e tantos outros existentes que formariam uma outra categoria de attars, como florais, frutais e especiariados.
O primeiro attar foi produzido por um físico persa chamado Hakim Sena com propósitos medicinais, finalidade que até hoje é muito usada dentro da medicina oriental, como por exemplo os óleos essenciais usadas na medicina indiana Ayurveda (ciência da vida), fundamentais para massagens e processos de cura.
Existem óleos que são considerados base para esse ramo e que são attars propriamente ditos, como o Sandalwood (Amadeirado de sândalo), o Agarwood (Amadeirado, resultado da decomposição em um tipo de árvore que deriva uma resina aromaticamente forte, bem característica dos perfumes árabes), além das conhecidas notas de amber e patchouli. Os attars podem ser misturados de forma bastante versátil, contanto que o perfumista saiba criar as camadas aromáticas que darão característica especial ao perfume e atingir os objetivos propostos, como o caso de attars para processos terapêuticos ou simplesmente perfumar-se e sentir-se bem com a proposta da fragrância. Normalmente nota-se que as notas misturadas nos attars não são difundidas pelos perfumistas, mesmo as grandes indústrias árabes divulgam seus produtos dando pouquíssimos detalhes de quais notas os formam. Dizem que muitas famílias tradicionais do oriente preferem guardar o segredo dentro do círculo deles, não expondo os óleos que estruturaram a base do perfume.
Resumidamente, a preparação básica de um attar passa pelo processo de evaporação, condensação e destilação. Como primeiro passo, eles unem as matérias primas como flores e plantas aromáticas colocando em um recipiente com água virgem e quente. Este vapor irá transitar em canos de bambu e depois ser misturado ao óleo de sândalo antes de ir passar para o destilador.
Cada óleo extraído passa pelo sandalwood que irá "alavancar" o aroma característico de cada óleo, por isso dizem que este óleo é a base de preparação dos attars.
Depois de ter óleo e água separados, a mesma água é usada várias vezes, principalmente em casos com flores como rosa, jasmin, kewda, raat rani
até que o sandalwood esteja totalmente saturado com o aroma daquele determinado perfume. Este é um exemplo artesanal à grosso modo, pois tem métodos muito mais sofisticados, que não são tão simples. Também é importante dizer que muitos óleos passam por uma fabricação tradicionalista, mesmo com todo o advento de tecnologia, já que os attars mais puros são feitos por famílias que levam essa herança.
Para finalizar, é importante dizer que os perfumes são uma forma de comunicação muito valorizada nesta cultura. Aromas vão direto para o médio cerebral, onde se localiza nosso sistema límbico, que processo o lado primitivo ligado a emoções e memória. Neste caso, os attars são muito difundidos para evocar a espiritualidade, trazendo certo conforto e purificação para a alma. Consequentemente, os attars são muito valorizados por atrair a energia positiva, elevando o espírito para o bem, proporcionando melhor autoestima, relaxando corpo, alma e espírito. Em alguns lugares, eles são poderosos instrumentos para rituais religiosos, tanto que não se usa somente o óleo mas também incensos que são preparados com ambergris, agarwood, especiarias, etc que "limpam" e iluminam o ambiente.

Foto: Flores e especiarias em Marrakesh, no Marrocos

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