segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Fahrenheit 32, Dior


Frio e calor, dois opostos que se unem na escala de Fahrenheit 32 de Dior, o recém lançado perfume que chegou para equilibrar a temperatura dos homens adeptos ou não do tradicional Fahrenheit, amadeirado efervescente. Esta é a proposta de Dior: O homem em metamorfose, entre os extremos e em uma nova jornada através dos sentidos.
A composição simples promete unir duas pontas em volta de um iceberg, intencionalmente refrescante com notas de orange blossom, mas também abaunilhado em seu mix. Será que esta mistura alcançou a escala certa?
Na minha opinião, não. Fahrenheit 32 não é um perfume que merece uma nota similar a um - 10º C na escala Celsius. Ele não é um zero à esquerda, mas não atingiu o equílibrio proposto pela marca e muito menos a personalidade de seu antecessor. Nas notas de saída, é evidente o frescor não tão cítrico do fleur d´oranger que briga com o vétiver adocicado e influenciado pela nota de baunilha. Se a confusão de sentidos fosse somente esta, certamente não seria tão fria com o perfume, no entanto no intuito de ser um fresco oriental, Fahrenheit 32 aquece a pele, subindo a sua própria escala e desiquilibrando o que talvez nunca seria equilibrado.
Indiscutivelmente, o perfume atinge o ponto mais quente que frio. Após uma fase mais ozone, na qual as folhas das flores de laranjeira parecem ter sido trituradas e salgadas com alguma nota estranha, o perfume fica mais doce e mais quente, provavelmente afetado pela desconhecida nota solar. Nestas horas, ao pensarmos em Fahrenheit 32, ou melhor 0º (zero) graus Celsius, a nota solar não faria nenhum sentido, assim como a proposta de chocar o quente e frio parece não fazer. Concluo que quem pode ficar chocado é o homem que incorporou por anos o estilo Fahrenheit em perfume.
Se a fragrância pode subir em alguma escala, que seja para usá-lo em uma temperatura mais amena. Do contrário, haverá um choque entre o suposto quente e frio que ao invés de aguçar os sentidos, os confundirá por completo.

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