sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Début : Série Retratos Perfumados com Norma Braga

Caros leitores e amigos todos,

Hoje é o début da série Retratos Perfumados do blog. Esta série tem como característica mostrar o que sente e pensa gente perfumada como eu e como você, através de uma conversa descontraída, sensível e inteligente. Não somos famosos, não trabalhamos em uma maison da perfumaria mundial, pelo contrário, somos gente que simplesmente ama perfumes e é desta forma que somos quem somos, especiais e apaixonados por esta arte.

Retratos Perfumados é uma forma de tornar o blog mais interativo, além de propiciar a abertura a um mundo de descobertas olfativas, através da opinião do outro. Além disso, encontraremos pessoas muito especiais por aqui, que amam perfumes e amam contribuir com seu conhecimento e paixão para que outros conheçam mais sobre os aromas deste universo. O que posso dizer é que sou eternamente grata à receptividade de cada coração perfumista que está colaborando para esta série e dizer a todos os apaixonados por perfumes: Sejam sempre bem vindos aqui e não esqueçam de deixar seus comentários!
Para começar esta série, a convidada é Norma Braga (que chamo de Normita carinhosamente), cuja sensibilidade vai além das palavras. Além de companheira de debates perfumísticos (e até literários), ela tem um blog
inteligentíssimo, o qual recomendo a todos.


Olá Norma,

Obrigada por colaborar com o blog perfume da rosa negra. Este blog é concebido para celebrar a nossa intimidade com as fragrâncias que acompanham a nossa vida e, principalmente, dedicado a pessoas como você. É um prazer tê-la aqui para expressar sua paixão por perfumes. Com prazer, agradeço a aceitação do convite para a série retratos perfumados.

1) Primeiramente, onde você mora e o que faz, ou melhor, quem é a Norma?

Querida Rosa Cris, obrigada! É uma honra estrear a série Retratos. Bom, eu moro em Niterói e dou aulas de francês, mas minha real paixão é ler e escrever, principalmente sobre assuntos relacionados a minha fé em Cristo, ou seja, todos... (risos)

2) Conte-nos como começou sua paixão por perfumes, onde tudo iniciou...

Eu me lembro de ter os perfumes em alta conta desde pequena, quando minha avó me encharcava com uma colônia da Mônica (passava até no cabelo) e eu ficava toda enjoada no carro depois(risos). Eu ia à penteadeira dela e ficava olhando todos aqueles frascos, alguns minúsculos, abria e dava uma cheirada. Mas meu primeiro perfume francês foi o que me marcou: Dune, de Dior, trazido por um namorado que até hoje considero quem eu mais amei na vida. Esse perfume me deixou mais que uma boa lembrança: me tornou uma aficcionada. Depois dele, vieram o Dolce Vita, o Addict, o Wish de Chopard, o Tocade de Rochas. Mas eu não sabia usar e me encharcava de todos eles, mesmo no calor do Rio de Janeiro, como minha avó fazia. (risos) Às vezes eu enjoava tanto que ficava um bom tempo sem usar perfume nenhum, até uma nova fase. Foi assim até eu aprender a ser mais comedida e usar perfumes segundo o clima.

3) Se você fosse contratada para criar um perfume para uma conceituada maison ou tivesse que criar o seu próprio perfume, qual seria o mix idealizado?

Um mix de flores: rosa, íris, tuberosa, mas tudo bem balanceado, sem que uma delas prevalecesse. Algo de uma delicadeza infinita: uma nota que ainda não conheço, mas que adicionaria algo cremoso ao conjunto. Outras notas poderiam ser freesia, baunilha, caramelo, especiarias, patchouli... Mas, espere aí, acho que esse perfume já existe! (risos) Não sei mesmo, mas com certeza não seria um perfume convencional. Acho que eu teria um longo caminho a percorrer com relação a reconhecimento de notas isoladas. Seria como aprender música para depois compor uma sinfonia, imagino...

4) Como diz o pintor Chagall, toda arte é um estado de espírito. Entendo que todo perfume é resultado de uma arte própria, um perfumista inspirado. Baseado nisso, qual a maior obra-prima da perfumaria? Por quê?

Tenho para mim que alguns perfumes são excelentes pela harmonia das notas, como Tocade, Wish, Brit Red, Prada, Douce Amère... Com certeza, o que me influencia na escolha é o fato de que as notas que os compõem são todas muito apreciadas por mim. Porém, Chanel n.5 e Le Baiser du Dragon são verdadeiras obras-primas, pois possuem identidade própria, algo específico que os torna únicos. Chanel n.5 é o perfume da feminilidade frágil porém sofisticada e, de certa forma, uma feminilidade inatingível, indefinível. Como se fosse tão frágil que se volatilizasse no ar se tentássemos tocá-la. Na propaganda com a Nicole Kidman, a composição Clair de Lune, de Debussy, exprime isso muito bem. Uso pouco porque, para me sentir assim, é preciso uma situação muito especial. Mas amo e jamais deixarei de ter em minha coleção. Le Baiser du Dragon é forte na superfície e delicado no fundo, algo que me define muito bem. Cai-me como uma luva e expressa quem sou em qualquer ocasião.

5) Nem sempre os perfumes nos tocam com paixão, muitas vezes até nos causam um sentimento de aversão. Se você concorda com isso, qual foi a maior decepção perfumística entre as fragrâncias que foram lançadas até hoje? Por quê?

Não tive nenhuma decepção, até porque não alimento expectativas sobre eles antes de prová-los. Entendo que, em perfumaria, muitas vezes o marketing utilizado não tem nada a ver com o perfume. Ou então, costumo me empolgar tanto com os que aprecio que esqueço rápido de todas as decepções! (risos)

6) Qual o perfume que está mais em sintonia com o teu momento atual?

Creio que seja o Prada, pois aprendi com Le Baiser du Dragon que gosto muito de patchouli e, ao mesmo tempo, queria um perfume que puxasse para o floral – um perfume que passasse uma feminilidade menos derramada, mais “distante” e segura, digamos. Acho que o Prada é exatamente assim.

7) O mercado da perfumaria mundial sempre acompanha grandes tendências olfativas para criar um perfume em sintonia com o tempo e, ao mesmo tempo, inovador. No entanto é possível ver que ainda existe um conflito entre o perfume ser um artigo temporário da moda e também uma obra de arte, clássica e atemporal. Na sua opinião, qual o perfume que foi concebido de forma bem-sucedida e que pode ser considerado moderno e clássico?

Além dos que provaram ultrapassar todas as barreiras do tempo – Chanel n.5, Après L'Ondée, L'Heure Bleue, Miss Dior e muitos outros que continuam a ser fabricados há mais de cinqüenta anos – , acredito que Le Baiser du Dragon e Prada são modernos e clássicos ao mesmo tempo, pois são anticonvencionais (não se parecem com nenhum antigo) nem se renderam à moda atual dos florais-frutais abaunilhados.

8) Diga-nos um perfume que combina com o seu filme e/ou música preferida. Comente a respeito.

Chanel n.5 combina com Clair de Lune, por tudo o que afirmei acima. Prada combina com algo bem urbano mas, ao mesmo tempo, sofisticado e misterioso – um rock inglês lento, por exemplo, ou um jazz cheio de dissonâncias. Le Baiser du Dragon seria um filme pesado mas que passa uma extraordinária e sensível cosmovisão – como a história da Paixão de Cristo. Por trás de toda a rudeza do sacrifício, há a mensagem maravilhosa e inequívoca de que Deus se deu ao mundo através de Jesus Cristo, o maior amor que alguém pode demonstrar: dar a vida por alguém.

9) Na sua opinião, quais são os 5 perfumes que temos que conhecer pelo menos uma vez na vida?

- Chanel n.5

- Le Baiser du Dragon

- Après L'Ondée

- Prada

- Todos do Serge Lutens! Uma experiência inesquecível.

10) Qual é o pior pecado de um perfume e/ou um perfumista?

Criar uma fragrância muito parecida com as que estão no mercado, um perfume sem personalidade, que evolui pouco e que, depois de poucas horas, fica indistinto de milhões de outros.

11) Qual será o seu próximo perfume, aquele que tem que entrar na sua coleção a qualquer preço?

Prada! (risos) Estou com uma amostrinha dele aqui comigo, mas, quando a amostrinha acabar, será difícil me segurar! Por enquanto, ainda estou pesquisando os melhores preços para não desequilibrar o orçamento.

12) Finalizando este nosso grande encontro, descreva seu amor por perfumes com uma palavra, frase ou texto.

Uma frase que me provocou grande impacto na adolescência foi: “A forma é a parte visível do conteúdo.” Sendo assim, perfumes não são apenas perfumes, mas estados de ser, emanando olfativamente algo que pertence ao gênero humano e que só pode ser expresso desse modo, muitas vezes longe do alcance das palavras.

Norma, obrigada pela sua participação... Um beijo perfumado, Cris, a Rosa Negra

Adorei a entrevista, Rosa querida! Só espero não ter falado demais... (risos)

Um grande beijo perfumado para você também, e sucesso com o blog!

Obrigada e até o próximo encontro!



Foto: Norma e seu gatinho (como digo, nena e neno!).

4 comentários:

Bruno disse...

Parabéns Cris por mais esse espaço do seu blog! Realmente é uma conversa intimista, de amigas (parece que eu estava vendo as duas batendo papo, rindo, recordando... rsrs).

Rosa Negra disse...

Oi Bruno, obrigada pela sua visita e comentário. Que bom que você foi sensível para perceber justamente um dos objetivos da série: Fazer com que você e todos os visitantes se sintam dentro da conversa, com que em uma parte do espaço onde ocorre o papo intimista. Talvez ao meu lado... por que não? rs...
beijo, Cris

Ana Patricia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ana Patricia disse...

Cris amei seu maravilhoso Blog.
Olha sua converssa com a Norma foi muito gostosa , visualisei vcs numa tarde de domingo chuvoso tomando chocolate quente conversando sobre os seus amores, um papo descontraido q só amigas podem ter.
Parabéns msm pois seu Blog é show , de bom gosto e de muita classe.
Querida vc ainda vai ser descoberta no mundo perfumistico como uma grande comentarista de perfumes.