terça-feira, 21 de agosto de 2007

Coco Mademoiselle EDP , Chanel



Coco Mademoiselle abre suas notas como um caleidoscópio de imagens de vários continentes, que reavivam em meu olfato os aromas que alcançam as distâncias entre diferentes culturas e povos. A base de floral, muito mais evidenciada por um suave jasmin, me remete a uma paisagem bucólica de uma área interiorana no Sul e Sudeste Asiático onde as mulheres costumam usá-lo nos cabelos como adorno. A imagem das discretas flores de laranjeira, imperceptíveis à química de minha pele, passam como um flash em minha mente, fazendo-me lembrar da Índia, onde a natureza as originaram. A doçura inicial das flores recorda-me o doce calor das regiões tropicais como África e parte da América; até que sinto-me embriagada pelo perfume francês que evidencia seu lado oriental, regrado pelo patchouli da Indonésia e o Vétiver haitiano, notas que tomam conta da fragrância do começo ao fim, até sair de cena como um sabonete de musk branco, harmonioso e clean.
Uma viagem por tantos lugares, após uma borrifada de Coco Mademoiselle, só faria sentido em um único tipo de mulher: a mulher que é cidadã do mundo. Aquela, descontraída e com carisma,
que alcança todas as culturas como se fosse parte de todas elas.
Sempre imagino que a sutileza e harmonia de Coco Mademoiselle combina com mulheres jovens, não fisicamente, mas jovens de espírito, com uma maturidade que encara o mundo de coração aberto. A mulher Coco Mademoiselle tem a sofisticação marota, humilde e sensível. Capaz de dar a mão a uma refugiado durante o dia e, à noite, cumprimentar diplomatas durante um luxuoso jantar. Aí está a diferença em comparação a outras fragrâncias da Chanel. Coco Mademoiselle tem a versatilidade de mulheres de grandes causas sociais, que humanizadas como são, encantam pessoas ao seu redor.
Este contexto de ser cidadã do mundo exemplifica que usar Coco Mademoiselle é um dos poucos perfumes que lembram a mulher engajada no humanitarismo, transitando entre o poder e a falta de poder, a solidariedade e a intolerância. Uma diplomacia tão intríseca... uma mulher dona de si, que equilibra o espírito idealista com uma sociedade cada vez mais racional, cuja beleza interior parece sair pelos seus poros, exalando seu adorável perfume por onde passa.
Articulada, humana, sensível, espontânea , naturalmente bela. Esta é a mulher cuja signature fragrance é Coco Mademoiselle. Seu perfume, ela o leva em uma de suas malas de viagem, aqui e acolá, neste mundo a ser desvendado... o primeiro spray afirma que é um raro perfume entre os Chanels. Perfume para uma raridade de mulher. Efusivo para acompanhar a sua comunicabilidade como uma fascinante embaixadora... assim são as notas de patchouli e vétiver que se abrem também da base para a saída, expandindo os limites de atuação desta cidadã do mundo. Logo, estas notas se unem a um floral mais ardido, que reflete o impacto da feminilidade mais ativa, que encara qualquer barreira como mulher, mesmo em ambientes hostis e/ou massivamente masculinos.
Após umas horas, dada a fixação suavizar muito para um musk mais acentuado, esta mulher retoca
Coco Mademoiselle em sua pele... penso que o faz em um novo momento, à noite e íntimo, quando a simplicidade do dia a dia engajado cede lugar à uma mulher desnuda em todos os sentidos, principalmente de seu papel social, já mostrando o outro lado da sua própria fronteira pessoal... noturna, sensual, totalmente nua . Afinal, para Coco Mademoiselle não há boundaries neste mundo, nem na feminilidade.



8 comentários:

Ademar disse...

Cris, sua resenha sobre o Coco Mademoiselle foi ótima! É incrível como você tem uma sensibilidade enorme..

Parabéns pelo blog.

BJs

Rosa Negra disse...

Olá Ademar... que bom que já me visitou aqui! A mulher Coco Mademoiselle é uma inspiração; um dos perfumes que vão longe na minha sensibilidade.

beijo

Luiz Alberto disse...

Cris, milhões de parabéns pelo blog, está excelente, se melhorar estraga, morri de rir com o comentário sobre o Attitude, só faltou dizer que ele é igualzinho ao B*Men (também Thirry Mugler, haja coincidência!!!), quanto ao Mademoiselle é um dos perfumes da minha Cris e você, mais uma vez, acertou em cheio, afinal ele é a assistente social mais classuda que eu conheço...rsrsrs, beijos e parabéns mais uma vez.

P.S. Em breve te mando a resenha.

Vera disse...

Seu blog está simplesmente maravilhoso.Adorável parar aqui para ler os seus posts.A entrevista aí em baixo com a Leles ficou espetacular!Andei já olhando os seus árabes lá no outro site...Pena que a Internet não tenha aroma! hehehe
Aqui no Rio tem como entrar em contato com eles? Beijocas,
VV

Apollo (Deus Grego) disse...

Parabéns Cris, já tinha lido alguns dos seus comentários e impressões olfativas sobre vários perfumes na "Apaixonados". A paixão que vc revela ao falar dos aromas e as impressões sinestésicas são tão enfáticas e apaixonantes que o leitor tem a ilusão de ter compartilhado a impressão contigo.

Rosa Negra disse...

Luiz,
Um prazer receber sua visita aqui. Imagino que tenha se divertido com os 3 perfumistas tentando me convencer. De fato , lembra a aroma de Thierry Mugler mesmo... Em uma situação como esta, o melhor poderia ter sido não imitar nada e fazer um perfume água com açucar... Seria mais autêntico!
Sobre o Coco Mademoiselle, para mim, ele é o perfume de mulheres engajadas em algo que realmente mistura a sensibilidade, o espírito crítico, a ação mais diplomática, sendo femininas mas também tendo a opinião formada em um universo masculino; ostentando também certa virilidade em suas atitudes como mulher. Fico feliz que minha xará é uma mademoiselle Coco M.
Beijos,

Ps :Será um prazer receber sua colaboração. Take your time, my dear!

Rosa Negra disse...

Verinha,
Sempre presente e sempre simpática. Como te disse, os árabes é um nicho à parte e o que tem no mercado , mesmo fora, nem sempre quer dizer qualidade. No Brasil em geral, não se encontra quase nada. Tem muita coisa que chamamos de "garbage" dentro da perfumaria árabe mesmo estando no exterior.
Tenho certeza que tendo uma oportunidade, farei questão que conheça os perfumes árabes. Beijo,

Rosa Negra disse...

Olá Apollo...

Obrigada pela visita! Junte-se ao blog e sinta a sinestesia através das palavras. Como digo, se vc é Apollo, o Deus Grego, deve imaginar que sentir perfumes é como se elevar a uma esfera mais espiritual, mais divina. Minhas sensações atingem esferas infindáveis, até além das palavras aqui escritas. abraço,