segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Black Orchid, Tom Ford


Black Orchid, um perfume que celebro como aqueles que tocam a pele e depois a alma. Diria que foi como receber um bouquet de orquídeas negras que foram desabrochando a cada fase do perfume, de forma bem lúdica. Tom Ford e seu talento nato, comparado a um Serge Lutens americano, foi audacioso em seu perfume misturando diversas notas que conseguiram criar uma sinfonia encantadora, vencendo as barreiras de desenvolver um mix de apelo dark e misterioso e ao mesmo tempo luminoso e esclarecedor. De forma rara, concebeu uma fragrância que nos leva a uma viagem olfativa, onde o primeiro passo é não saber por onde ir mas ao mesmo tempo estar seguro de que o caminho será fascinante. Como uma cegueira temporária que excita; como estar de olhos vendados embriagados por uma escuridão que, contraditoriamente, clama por uma luz reveladora. Foi exatamente desta forma que me senti; após a primeira borrifada, aromas se tornaram sabores: o azedo da bergamota e o doce da provável trufa negra se equilibraram com uma cremosidade amadeirada e um toque de patchouli. De forma inédita, um cítrico cremoso que se altera com o adocicado de acordes florais e frutais foi lançado no mercado. Este perfume teve seu début para tocar o corpo com nuances que fluem deliciosamente para a alma, como uma noite estrelada com jardins de orquídeas negras e um drink cremoso e cítrico ao lado. Um aroma que alcança o efeito hipnótico ao acalentar a pele com a baunilha misturada em pétalas doces, quase comestíveis com um delicioso perfume gourmand que mantém o frescor do dia, o calor da noite. A base abaunilhada chypre une o desabrochar desta orquídea com a vivacidade da flor já aberta, unindo o aroma trufado do início, que lembra chocolate recheado um licor cremoso, cítrico e azedo com a base final coberta de baunilha e notas amadeiradas. Considero Black Orchid um perfume cuja temporalidade na pele se faz presente de forma gradual e contínua, como se para entrar em cada uma de suas nuances fosse necessário seguir um caminho sem atalhos. Fatalmente, um caminho que leva a um campo de orquídeas apaixonantes.

5 comentários:

Vera disse...

Enorme o prazer de ver no seu blogh a combinação perfeita entre o perfume e a literatura , entidades complementares na busca do prazer estético e sensorial.Parabéns, Chris, estarei sempre aqui com você!
Vera Azevedo

Rosa Negra disse...

Vera,
Sou muito grata pela tua visita e sei como gosta de literatura. Pode ter certeza que este espaço perfumado celebrará todas as artes e seus diálogos com o prazer sensorial. beijo, Cris

Henrique disse...

Excelente iniciativa Cris! Cada vez vejo você se aperfeiçoando em suas percepções perfumísticas e em seus relatos estonteantes, que nos fazem viajar e até mesmo sentir o perfume só pela leitura. Black Orchid é um dos perfumes que mais me encantou quando eu senti. Ele consegue passar mesmo a imagem de uma flor negra, doce, suave, mas ao mesmo tempo dark, intrigante e instigante. Com certeza será uma compra futura.

Rosa Negra disse...

Olá Rick, obrigada por seu comentário. É exatamente isso que penso sobre o Black Orchid, uma flor negra, totalmente antagônica. Se uma rosa pode ser dual, esta se chama Black Orchid. beijo, Cris

Liana disse...

Cris:
Sabes que sempre leio teus comentários, com curiosidade e respeito (pois sabes por d+ sobre perfumes)
Este sobre o Black Orchid foi fundamental para efetuar minha compra
Continue!!!
Bjoks