sábado, 4 de abril de 2009

Série Retratos Perfumados com Luiz Alberto / Conversations: The Fragrant Portrait of a perfume lover with Luiz Alberto

Luiz Alberto, de Brasília(Brasil) é o nosso retrato perfumado
Luiz Alberto, from Brasília(Brazil) is our fragrant self-portrait


Em toda a minha trajetória de experimentações perfumísticas e troca de experiências sobre fragrâncias, há um grupo de pessoas que ultrapassa a mera troca de idéias sobre uma paixão em comum; elas se tornam amigas e referências bastante profissionais, mesmo que elas não trabalham exatamente na mesma área que a sua e até mesmo com perfumes. Não importa onde elas estejam geograficamente, elas se tornam fiéis à sua amizade, por isso, merecem exatamente respeito e admiração . O melhor de tudo é que elas agem exatamente como muitos grandes profissionais da área de perfumes que eu conheço e admiro: são auto-confiantes, leais, detentoras de conhecimento, inspiradoras e merecem destaque. Por outro lado, são como todos nós, apaixonados por perfumes e também consumidores que aprendem dia a dia sobre esta grande paixão.


Por estes e tantos motivos, convidei Luiz Alberto para o retrato perfumado deste mês. Um apaixonado por perfumaria que faz parte da minha vida e me ensinou muito com seus
insights sobre fragrâncias, principalmente a observar a qualidade dos perfumes com um espírito crítico, sem nenhum medo da exposição. Além disso, Luiz Alberto fez com que eu tomasse gosto pelos perfumes dos mestres Serge Lutens e Christopher Sheldrake, fato pelo qual lhe serei eternamente grata.


Obrigada, Luiz. Em nome do Perfume da Rosa Negra e dos nossos leais e potenciais leitores, hoje o blog é teu e os aplausos também.


Um beijo, Cris Rosa Negra



Cris: Conte-nos quem é o Luiz Alberto e como sua paixão por perfumes começou.

Luiz: Ah, o Luiz Alberto, na essência é um Gucci pour Homme, que pretende um dia se tornar un Vetiver Oriental; durante a semana é um Terre D'Hermès e com o nascimento do filho aprendeu a ser um Azzaro, principalmente nos finais de semana, geralmente quando está com a esposa. Tem seus momentos Caron pour un Homme, mas adora curtir seus momentos Burberry Brit for Men. A paixão foi herança da minha mãe que herdou de minha vó(que já usava Nahema de Guerlain, Shocking de Schiaparelli e Bandit de Robert Piguet) o gosto pelos perfumes. A coisa piorou quando minha mãe que trabalha no Ministério das Relações Exteriores teve a chance de morar durante bons anos no exterior, Espanha, Marrocos, tendo acesso às "diplomatic shops" e passou a me enviar perfumes dos quais ela gostava e que nem sempre tínhamos acesso aqui no Brasil, daí para virar uma paixão foi um pulinho. Quando comecei a participar de fóruns de perfumes na internet, a coisa descambou de vez. Hoje em dia sou um perfumólatra e acho que graças a esta entrevista não mais tão anônimo.


Cris: Não mais anônimo mesmo(risos), agora você poderá ser lido por qualquer leitor dentre os mais de 90 países que já acompanham o Perfume da Rosa Negra e até mesmo, quem sabe, por Serge Lutens (risos). Luiz, considero-te como um dos apaixonados por perfumes que me apresentou o mundo de perfumes de nichia, principalmente o mundo perfumado de Serge Lutens. Na sua opinião, de forma geral, quais os diferenciais dos perfumes deste segmento que os tornam tão cativantes? Quais deles, de fato, representam o conceito de nichia?

Luiz: O diferencial é a originalidade. Na minha opinião, não há saída para a perfumaria fora dos perfumes de nicho. Não estar presa a padronizações, a tendências, a modismos faz da perfumaria de nicho muito mais interessante, diversificada e conceitual. Não é à toa que as grandes casas Chanel, Armani, Hermès estão correndo para ter linhas exclusivas. É a única maneira de manter um viés de glamour na sua linha de perfumes, diante da massificação e vulgarização. Os perfumes de nicho são a bóia de salvação para quem vê arte na perfumaria. Não poderia te responder quais representam o conceito de nichia, moro no Brasil e meu acesso a eles é muito restrito. Os que conheço , graças a amostras trocadas com amigos ou compradas junto aos sites na internet representam muito pouco diante do universo de perfumes de nicho que temos hoje. Citar Serge Lutens e L'artisan seria redundante. Citar L'etat Libre D'Orange sem nunca ter tido a chance de experimentá-los seria leviano, portanto, o que posso te responder é que qualquer perfumaria que me traga algo diferente e original ,para mim, já se encaixa no conceito.


Cris: E falando em conceitos de perfumaria de nichia... como um bom apreciador desta área no Brasil, diga-nos que seria "perfumes de nicho", na sua opinião.

Luiz: Arte e glamour. Acho que perfumes de nicho têm que estar carregados destes dois elementos. Acho muito boa a comparação entre os perfumes de nicho e a alta costura, a liberdade da criação sem estar amarrado a padrões mercadológicos. Outro dia experimentei um perfume da perfumaria de nicho italiana Profumum. Chamava-se Fumidus. Na hora lembrei daqueles modelos criados pelo John Galliano para as coleções de alta costura da Dior, porque seria simplesmente impossível usar aquele perfume em uma situação casual. Fumidus é muito mais uma provocação, uma intenção, do que algo para ser usado cotidianamente como um perfume e, para mim, os perfumes de nicho têm que ter este caráter de expressão artística mas sem perder também o glamour para não se tornar algo arrogante.


Cris: Exato... falando em Serge Lutens e Christopher Sheldrake, grandes mestres e artistas da perfumaria os quais nós dois admiramos. Por que é um apaixonado pelos perfumes de Serge Lutens? Qual sua visão sobre o trabalho desta dupla esplêndida na perfumaria?


Luiz: Falo sem vergonha do lugar comum, mas a minha vida como apreciador de perfumes tem dois momentos, antes e depois de conhecer os perfumes de Lutens/Sheldrake. Já havia conhecido alguns perfumes de nicho antes de conhecer os Lutens e minha impressão não era nada boa. Conhecer os perfumes da dupla foi entrar em uma nova dimensão do que eu conhecia do mundo dos perfumes, eu pensei finalmente alguém entendeu o que eu estava procurando, por isto a minha paixão pelos Lutens. Acho que o que temos experimentado de melhor ultimamente tem saído de parcerias haja visto Polge/Chanel, Elena/Hermès, Duchaufour/L'Artisan é só a prova que a união de uma idéia, um estilo à técnica de forma a criar uma identidade, uma linha de expressão é o que tem se mostrado, pelo menos para mim, o que há de mais criativo e interessante.


Cris: Na sua opinião, qual seria o mix idealizado de um perfume que seria a maior obra prima da perfumaria mundial. Por que?

Luiz: (Risos) Esta pergunta me remete imediatamente ao Jean Baptiste Grenouille, personagem do "Perfume", esta é a grande obsessão de todo aquele que é apaixonado por perfume, a busca do perfume ideal, eu já cheguei à conclusão que nunca conseguiria chegar a ele porque quando chegasse, das duas uma, morreria no momento seguinte (o que não desejo) ou já estaria imaginando uma nota para adicionar para torná-lo ainda melhor, portanto prefiro ficar com os perfumes reais, vez ou outra me pego criando perfumes imaginários, aromas que gostaria de estar sentindo naquele momento, mas nada que seria "a maior obra prima da perfumaria mundial", só aromas idealizados para momentos próprios. Agora, para não te deixar totalmente sem resposta, penso que se fosse possível chegar a este clímax, com certeza, o meu perfume ideal teria que ter uma notinha de vetiver, por mais fugaz que fosse.


Cris: (Risos), sempre vetiver , talvez como o oriental de Lutens (risos)...Luiz, por ser um consumidor de perfumes, mas muito além, um formador de opinião sobre esta indústria, qual a sua visão sobre o futuro da perfumaria mundial? O que te incomoda atualmente, além da massificação de fragrâncias como se fossem bens de consumo produzidos em linhas de produção em larga escala?

Luiz: Eu acho que sou mais um deformador de opinião(risos), mas o que eu vejo, e é uma visão bastante limitada, porque não faço parte da indústria do perfume e, ainda pior, moro em um país que é totamente periférico em relação à esta indústria, são os perfumes caminhando em duas direções, a massificação absoluta das grandes marcas, como o monopólio cada vez maior das grandes empresas de fragrâncias (Firmenich, IFF, Givaudan, etc...) e a proliferação (ainda bem) das perfumarias de nicho. Pena que no Brasil só caminhamos na primeira direção. Quanto à segunda pergunta o que realmente me incomoda é o total desrespeito das grandes marcas com a inteligência dos consumidores de perfumes, o lançamento indiscriminado de flankers, campanhas milionárias para perfumes medíocres, lançamentos que são cópias escancaradas de perfumes que não fizeram tanto sucesso, perfumes de celebridades, isto realmente me tira do sério, quando sinto que estou sendo tratado pela indústria de perfumes como um consumidor do Mc Donalds e não que eu tenha alguma coisa contra a dita rede de fast food , mas o problema é que você não paga por um perfume o preço que você paga por um Big MAC e, infelizmente, isto é generalizado, tanto é que eu teria uma visão um pouco mais otimista do mundo dos perfumes se não existisse o tal do Allure Homme Sport.


Cris: (Risos), exatamente concordo. A visão de que uma perfumaria não é um balcão de fast food é o que os consumidores têm que ter antes de comprar um perfume sem graça. A propósito, você sempre teve uma visão bastante crítica de algumas criações através de seus comentários nos fóruns de perfumes, qual foi o maior pecado cometido por uma perfume house ou perfumista? Conte-nos à respeito.

Luiz: Cris, quem sou eu para dizer qual foi o maior pecado, meus critérios não são técnicos, isto é tarefa para Turin, Burr, Sanchez. Como meus critérios são apenas de um amador que adora perfumes, para mim há deslizes para todo lado, até o Jacques Polge comete os seus. Como eu já citei na resposta anterior, portanto, dentro deste ponto de vista puramente amador , os maiores pecados estão naqueles perfumes que não te provocam absolutamente nada, ou seja, aqueles que são vazios de conteúdo, incapazes de te provocar qualquer emoção e, infelizmente, nos últimos anos o mercado tem sido prolífico nestas espécies. Vou te citar dois que me remetem a este nada emocional, a este vácuo sensorial, o Ckin2u e o City Glam.

Cris: Também achei estes perfumes extremamente "tasteless" , cheirando Ckin2u deu saudades do velho CKone, que ainda assim representou um marco para Calvin Klein. Luiz, vi que você comprou o livro "Perfume: The Guide", escrito por Turin e Tania Sanchez. Inclusive o estou lendo. O que você achou do livro? Alguma decepção,surpresa ou algo que tenha chamado sua atenção ou que tenha trazido um conhecimento novo? Comente.

Luiz: Adorei o livro, é meu livro de cabeceira, leio, releio, estou sempre o consultando. O bom do livro são justamente as surpresas e as decepções, quando você poderia imaginar que Lou lou e Azzaro pour Homme seriam cinco estrelas na cotação como alguém como Turin, e são, isto é o melhor do livro, você passa a enxergar o perfume através de um outro prisma. Não creio que ele deve ser usado como padrão, por exemplo, para escolha de um perfume, porque nesta hora o melhor juiz é sempre o nosso nariz, mas para quem realmente se interessa e gosta de perfumes é uma leitura indispensável e muito divertida.


Cris: Existem algumas opiniões divergentes sobre as críticas realizadas pelo Chandler Burr no NY Times, por exemplo dizer que "Light Blue" de D&G é uma obra prima. Também discute-se muito se ele é a pessoa que deveria criticar sobre perfumes em um veículo como este. Opiniões à parte, sei que acompanha e/ou acompanhou o trabalho dele e gostaria que comentasse quais foram as contribuições de Chandler Burr para você,como admirador de perfumes e, consequentemente, para todos nós?

Luiz: Eu acho fantástico o trabalho do Chandler, independente de ser a pessoa certa ou não, ter uma crítica de perfumes no NYTimes é o reconhecimento da importância deste mercado, para mim, como apaixonado e consumidor, penso que é excelente ter alguém que entende, mesmo que não discutamos o quanto, escrevendo, opinando sobre perfumes em um veículo como o NY Times. E méritos Mr. Chandler tem, não há como não reconhecer que ele conseguiu aprender, e muito com o convívio com o Luca Turin, mas é óbvio que em relação ao "Light Blue" ele terá que acertar algumas contas no dia do Juízo Final (risos)


Cris: (risos) Atualmente questiona-se se o papel das grandes empresas de aromas e fragrâncias, comentando-se que são meros executores seguindo o que o cliente sempre quer , em um briefing, sem trazer tanta inovação para a perfumaria. Fale-nos sobre sua visão a respeito destas grandes empresas. Você acha que elas monopolizam o mercado da perfumaria de forma positiva, influenciando os clientes para algo de vanguarda na perfumaria global? E o que pensa a respeito dos clientes destas empresas, clientes que acabam dando as condições do que se vê em perfumaria hoje?

Luiz: Eu não acredito em monopólios sejam benéficos a atividades na qual a criatividade é o principal diferencial, eu, sinceramente não me sinto confortável ao saber que cinco ou seis pessoas vão decidir quais são as fragrâncias e as notas que eu vou experimentar durante o ano, apesar do glamour que ainda ronda o mundo dos perfumes, as pessoas precisam ter noção que tudo hoje é um grande negócio, nada são flores(literalmente), hoje o que você sente é criado em laboratório e são milhares de moléculas sendo criadas por ano e só meia dúzia você terá chance de experimentar e ainda ter que ouvir que aquela nota é de um vetiver da Polinésia do Norte ou um jasmin da ilha de Java ou qualquer outra maluquice que os criadores e clientes queiram te empurrar. Portanto, não consigo ver vanguarda nisto e os clientes que dão as condições para o desenvolvimento da indústria, também só estão interessados em ser vanguarda se isto significar milhões de dólares na conta bancária, aquele conceito revolucionário e romântico de "avant guarde" de quebrar paradigmas, mostrar novos caminhos, isto tudo já se diluiu numa geléia, infelizmente muito mal cheirosa(risos).

Cris: Perfeito ponto de vista, Luiz. Finalizando este nosso grande encontro e sua belíssima e muito inteligente entrevista, descreva seu amor por perfumes com uma palavra frase ou texto.

Luiz: Fico com Júlio César, Veni, Vidi... Vetiver.

Cris: Luiz, obrigada pela sua participação ... um beijo perfumado da Rosa Negra.





Foto: Luiz Alberto. Acervo Pessoal. Entrevista protegida por copyright nos termos da lei. Proibida qualquer reprodução sem permissão do Perfume da Rosa Negra.




(English version)



During all my path of fragrant experiments and exchange of experiences about fragrances, there is a people group that overcome the ideas change about this passion; they become friends and very professional references, even though they work in different areas , mostly not with perfumes. No matter where they are globally, they are loyal to a friendship , because of that, they deserve respect and admiration. The best of all is that they behave exactly as many great professionals of the perfumery who I interact with and admire: they are self-confident, loyal, knowledgeable and deserve some highlight. On the other hand, they are like us, fragrance passionates and also consumers who learn day by day about this passion .

Because of these reasons and so many others, I invited Luiz Alberto for the fragrant self-portrait of this month. A passionate man for the perfumery who is part of my life and taught me a lot with his insights about fragrances, mainly watching the quality of perfumes under a critic spirit, without any fear of exposure. Moreover, Luiz Alberto made me starting to enjoy the fragrances of masters as Serge Lutens and Christopher Sheldrake, something which will make me be eternally grateful for him.

Thanks, Luiz. In the name of Perfume da Rosa Negra and our
loyal and potential readers, today the blog is yours and applauses too.


A kiss, Cris Rosa Negra


Cris: Tell us who is Luiz Alberto and how your passion for fragrances started.

Luiz: Ah , Luiz Alberto , in his essence is a Gucci pour Homme who aspires to be one day a Vetiver Oriental; during the week he is a Terre D'Hermès and with the birthday of his son he learnt to be an Azzaro, mainly on weekends, generally when he is with his wife. He has his moments with Caron pour un Homme, but love enjoying his moments with Burberry Brit for Men. The passion was legacy of my mother who also inherited from my grandmother (who wore Nahema de Guerlain, Schiaparelli Shocking and Robert Piguet Bandit) the taste for fragrances. The thing got worse when my mother who works for the Ministry of Foreign Affars had the chance of living during good years overseas, Spain Marocco and had access to "diplomatic shops" , she started to send me fragrances which I like and were not sold in Brazil, so it was a jump to turn a passion. When I started to participate in perfume communities on internet, so the passion moved on and on . Nowadays I am perfume-holic and after this interview, not anonymous anymore (laugh).


Cris: Indeed, not anonymous anymore (laugh), now you will be read by any reader among more than 90 countries which have been followed Perfume da Rosa Negra and may be read also(and why not) by our great Serge Lutens (laugh). Luiz, I consider yourself one of the fragrance passionate who presented me the world of the niche perfumery, mainly the fragrant world of Serge Lutens. In your opinion, in general, what are the distinctive features of these perfumes, what make them being so captivating? Which of them represent better the niche concept?

Luiz: The originality is the main distinguishable trace. In my opinion, there is no solution for the perfumery out of the niche fragrances. Not to be sticked to standards, trends or fashion make the niche perfumery more interesting, diverse and conceptual. It is noticeable why some huge houses as Chanel, Armani, Hermès are rushing to have exclusive fragrance lines. It is the only way to keep the connection of glamour in their fragrances range in front the massification and vulgarization. The niche perfumes are the lifeline for those who wish to see art in the perfumery . I could not answer you which ones best represent the niche concept, I live in Brazil and my access to them is very restricted . I know that, thanks to samples exchanged with friends or bought in internet sites, but they are very few when compared to the universe of the niche perfumery we have now. Mention Serge Lutens and L'artisan would be repetitive. Mention L'etat Libre D'Orange without never had the chance of sampling them would be thoughtless , therefore what I can answer you is that any perfume house which brings something different and original for me already fits to this concept.


Cris: And telling about the niche concepts... as a good perfume lover of this market, tell us what would be "niche fragrances", in your opinion.

Luiz: Art and glamour. I think that niche perfumes have to be loaded by these two elements. I think the comparison between the niche perfumery and the haute couture very good, the creation freedom without being attached to some market standards. Other day I sampled a fragrance of a niche perfume house whose name is Profumum. The fragrance is Fumidus. At the time I reminded those models created by John Galliano for collections of Dior Haute Couture, because it would be simply impossible to wear that perfume in a casual situation. Fumidus is much more a provocation, an intention than something to be worn daily as a perfume and, to me, niche perfumes have this artistic expression characteristic but without losing also the glamour, in order to not become something arrogant.


Cris: Regarding to Serge Lutens and Christopher Sheldrake, wonderful masters of perfumery we both admire a lot . Why are you a passionate man for Serge Lutens fragrances ? Which is your vision on the work of this splendid partnership in perfumery?


Luiz: I tell you, shameless of any commonplace, but my life as a perfume lover has two moments, before and after knowing Lutens/Sheldrake fragrances. I have already known some niche perfumes before Lutens and my impression was not good. Knowing fragrances of this double masters was as coming to a new dimension in comparison to which I knew in the perfumes world, I thought "finally someone understood what I am looking for", because of that my passion for Lutens fragrances. I think what we have been experiencing better in fragrances has come from partnerships as Polge/Chanel, Elena/Hermès, Duchaufour/L'Artisan , that is just a proof of the join of ideas, style aligned to the technique in order to create an identity , a line of expression is what has been shown, at least for me, that is what is creativer and more interesting.


Cris: In your opinion, what would be the ideal mix of a fragrance which would be the masterpiece of the world perfumery. Why?

Luiz: (lol) This question makes me immediately think of Jean Baptiste Grenouille, character of "Perfume", that is the big obsession of anyone who is a perfume lover, the search for the ideal perfume . I have already concluded that never would reach the ideal perfume, because when I reached, it would happen two options, I would die in the next time (what I don't wish) or I would immediately be thinking about adding some note to become the fragrance better, therefore, I prefer to keep my real fragrances, one or another time I find myself thinking I am composing imaginary fragrances, aromas that I would be feeling at that moment, but anything that would be the "big masterpiece of the world perfumery" , just idealized scents for self moments. Now, to not let you with no response, I think if I could reach this climax, I am certain, my ideal perfume would have a note of vetiver, even if it were just a slight one.

Cris: (lol), always vetiver, maybe as the oriental one of Serge Lutens (lol), Luiz, being a perfume consumer, but much more, being an opinion maker about this industry, how do you envisage the future of the global perfumery? What bother you currently in the industry, in addition to the fragrances massification as they were consumer goods produced in large scale in manufacturing lines?

Luiz: I think I deform more the opinion than just being an opinion maker (lol) but what I see and is a very limited vision because I am not part of the perfume industry and, even worse, I live in a country that is totally peripheral in relation to this industry , see the fragrances walking into two directions, the absolute massification of big brands, as the monopoly increasingly bigger of the leading companies (Firmenich, IFF, Givaudan, etc...) and the proliferation( what is good) of the niche perfumery. It is a pity that we, Brazil, just walks in the first direction . About the second question what bothers me is the total lack of respect of the big companies with the intelligence of the perfume consumers, the indiscriminate releases of flankers, millionaire campaigns for tasteless fragrances, releases which are shameless copies which are not successful, this really upset me when I feel that the perfume industry is treating me as Mc Donalds consumer and, I am not against this fast food chain, but the problem is that you do not pay in a perfume the price you pay in a Big MAC and unfortunately, this is widespread, this is that I would have a more optimistic vision of the perfumery world if there was no such Allure Homme Sport.


Cris: (lol), I agree with you. The vision that the perfumery counter is not the counter of a fast food is what consumers should think before buying a tasteless fragrance. By the way, you always have had a very critical point of view related to some fragrances, as I could see in some of your comments in fragrances foro, what is the biggest sin commited by a perfume house or a perfumer , in your opinion? Tell us.

Luiz: Cris, who am I to tell some sin, my criteria are not technical, this is a task for Turin, Burr, Sanchez. As my criteria are just as an amateur who loves fragrances, for me, there are sins in many sides, until Jacques Polge commited his sins. As I previoulsy have commented , under the pure point of view coming from an amateur, the biggest sins are those fragrances which do not provoke absolutely anything, I mean, those which are empty of content, unable of provoking some emotion and , unfortunately, in the last years the market has been productive in these types of fragrances . Just to mention two of them, which are unemotional to me, a sensorial vacuum, Ckin2u and City Glam.

Cris: I also think these fragrances are extremely "tasteless" , smelling Ckin2u I started to miss the old CKone, which , at least, represented a mark for Calvin Klein. Luiz, I see that you bought the book "Perfume: The Guide", written by Turin and Tania Sanchez. I am also reading it. What is your opinion about the book? Some disappointment, surprise or something else which called for your attention or brought to you a new knowledge? Comment, please.

Luiz: I loved the book, , that is my bedside book, I read, read again and I am always consulting it. The pro of this book is exactly its surprises and disappointments, when could we imagine that Lou lou and Azzaro pour Homme would have five stars for someone as Turin? and they have, this is the best of the book, you start to look at other angle. I do not think it should be used as a standard, for example, for a perfume choice, because at this time, the best judge is always our noses, but for those who are interested in and like perfumes, that is a must have and fun reading.


Cris: There are some controversial discussions about fragrance reviews written by NY Times critic Chandler Burr, for example, say that " D&G Light Blue" is a masterpiece. Some people discuss if he is the right person in this position in a media like NYT. Apart from these opinions and taking into consideration you have followed his work for a while, which are the main contributions you think Chandler Burr could bring to us?

Luiz: I think he has a fantastic work, no matter if he is the right or wrong person, to have a critic column in the NYTimes is a very important recognition in this market and, to me, as a consumer and perfume lover, I think it is very good to have someone who understands about fragrances, writes and have an opinion in a media channel as NY Times. And Mr. Chandler is praiseworthy, it is clear he learnt a lot and much more with his interaction with Luca Turin , but it is also obvious that, regarding to his "Light Blue" opinion, he will have to debt in the doomsday (lol).


Cris: In the present situation, there is some discussion about the role of the big flavours and fragrances companies and it is commented if their roles are only to be executors following what the client wants, in a briefing, without bringing so much innovation to the perfumery. Tell us about your vision related to these companies. Do you think they monopolize the perfumery market in a positive way, influencing clients for something of avant guarde in the global perfumery? And what do you think related to their clients, clients that give all conditions to what we see now in the industry?

Luiz: I don't believe that monopolies are useful to activities in which the cretiveness is the main distinctive trace, sincerely I do not feel confortable in knowing that five or six people will decide what fragrances and notes I am going to wear during a year, despite the glamour which is in the fragrances world, people need to have some notions that everything is a business matter , anything is not just flowers. Today what you smell is created in laboratory and there are millions of molecules being created each year and only a dozen of them will have the chance to be in a perfume. The hard is be obliged to hear that a note is a North Polynesia vetiver or some jasmine is from the Java island or any madness that designers or clients wish to make us believe in. Therefore, I cannot see vanguard on it and the clients give conditions to the development of the industry if that means millions of dollars in their bank account, that revolutionary and romantic concept of "avant guarde" , of breaking paradigms, showing new ways, everything was already dilluted in a jam, unfortunatelly, which does not smell good(lol).

Cris: Perfect point of view, Luiz. Concluding this great meeting and your gorgeous and very smart interview, describe your love for fragrances with one word , quote or text.

Luiz: I say as Júlio César, Veni, Vidi... Vetiver.

Cris: Luiz, thanks for contributing to this article ... a fragrant kiss of the Rosa Negra.




Photo: Luiz Alberto. Personal file. Interview protected by copyright in the law terms. Forbidden any reproduction without permission of Perfume da Rosa Negra.

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