quarta-feira, 15 de abril de 2009

Perfume Review: Ambre Noir, Sonoma Scent Studio

By Italo Wolff




Confesso que nunca tinha dado o devido valor à perfumaria de nicho americana até conhecer Sonoma Scent Studio e sentir Amber Noir, o que se configurou como uma bela surpresa em meu conhecimento olfativo. Para que possamos falar mais claramente sobre esse aroma, vale a pena descrever um pouco mais sobre a marca e sua conceituação: na verdade, um estúdio de perfumaria artesanal situado no estado da Califórnia que usa essências naturais em seus produtos, que vão de perfumes até os mais diversos produtos para banho e corpo, chefiado pela perfumista autodidata Laurie Erickson.

Como sou admirador de novas
idéias na perfumaria, que priorizam a arte e a exclusividade, fiquei encantando com a idéia de poder conhecer algo tão diferente, como é o caso de uma perfumaria deste tipo nos Estados Unidos.


O caso com
Ambre Noir foi uma paixão ao primeiro momento, ele cai na pele como um confortável casaco da mais macia lã, me vestindo e aquecendo contra os dias frios. Um aroma denso mas que fica rente à pele, como se fosse o cheiro natural do meu corpo diante da chama de uma lareira em uma fria e chuvosa tarde de inverno, onde estou acompanhado de um excelente livro e tomando uma dose de um saboroso conhaque aquecido.

Trata-se de uma composição espíridica composta por láudano, madeira e ágar, incenso, cedro, vetiver seco, âmbar e rosa.Um perfume tipicamente alcoólico em sua saída altamente licorosa e pungente que, aos poucos, mostra inúmeras facetas, ora a de um âmbar fumarento, ora a de um âmbar amadeirado adornado de rosas. A mais forte impressão é de um licor aromatizado com inúmeras raízes e doses de alcatrão.


Sua evolução
é múltipla, adquirindo uma forma esférica, saindo e retornado ao mesmo ponto em intervalos cada vez maiores, porém o ponto principal é o conforto que ele imprime a nossos narizes, não é algo que nos incomode, mas ao contrário disso nos aquece e ajuda a reconfortar.

Seu âmbar é como o conto solfieri de Álvares de Azevedo, onde a paixão se perdura além da vida, onde há um misto de medo e proteção ou pode ser ainda mais forte e ultraromântico como os contos de Edgar Alan Poe. A nota ambarada é sobreposta de muitas facetas amadeiradas e incensadas, mas a composição de certo modo é fixa em duas notas, o ágar e o âmbar, talvez por essa percepção o perfumista tenha chegado ao adjetivo "Noir", para usar como nome deste perfume, não há maneira de não sentir os acordes destas notas em suas mais ricas interpretações.



Algo mítico envolve esse perfume, como se lendas viessem à mente. É deveras uma irrefutável prosa romântica, cercada de amor e proteção, um cálido abraço, ou um elixir apaixonante. Ambre Noir é mais uma surpresa do nicho artístico da perfumaria não massiva, onde criador e criatura compartilham da mesma essência, antes mesmo de tocar nosso sistema respiratório Ambre Noir toca nossas fantasias e mentes, diria que ele consegue ser algo bem próximo de divertir-se no escuro, ou melhor ainda divertir-se no silêncio.


"Quem se importa com uma palavra quando sente"

Álvares de Azevedo, em Solfieri


Italo Wolff é escritor de perfumes de Alagoas (Brasil) e colaborador exclusivo para o Perfume da Rosa Negra


(English Version)


I confess you that I have never given the deserved attention for the American Niche perfumery until the day I know Sonoma Scent Studio and smell Amber Noir, what means a beautiful surprise to my olfactory knowledge. Before telling you clearly about this scent, it is worth to describe a little more about the brand and its concept: actually, it is an artisanship perfume studio located in the state of California, where it is used natural essences in its products which are in a diverse range such as fragrances and scented body and bath products. The studio is managed by the autodidact perfumer Laurie Erickson.

As I am a real fan of new ideas in perfumery, mainly those ones which prioritize art and exclusivity, I was enchanted by the idea of knowing something so different as this perfumery in United States.

The affair with Ambre Noir was first love at first sniff, the scent fits to the skin as a comfortable coat produced with the softest wool, wearing me and warming me against cold days. A dense aroma but so close to the skin as it was the natural smell of my body in front of a fireplace in a cold and rainy winter evening, where I am reading an excelent book , drinking a tasty warmed cognac.

It is about a spiral composition of labdanum, agarwood, incense, cedar, dry vetiver, amber and rose. A typical alcoholic perfume with its opening intensely liqueur-be, a pungency chord that little by little shows innumerous facets, sometimes a smoky amber, sometimes a woody amber adornated by roses. The strongest impression is smelling an aromatic brandy with various roots and doses of tar.

Acquiring a spiral form, its multiple evolution goes and returns to the same point i, each time, in larger intervals, but the main point is the comfort given by scent to our noses, it is not something that bothers us, but something that warms us and help us to be comfort again.

Its
amber is like the tale Solfiere of Álvares de Azevedo, where the passion lasts beyond the life, where there is a mixture between fear and protection or this amber can be stronger and ultra romantic like Edgar Alan Poe's tales. The ambery note is juxtaposed by many woody and incense facets, but the composition is focused on two notes, agarwood and amber, perhaps because of this insight, the perfumer selected the adjective "Noir" to name this fragrance, there is no way of not smelling these two notes chords in their richest interpretations.


Something
mythical involves this perfume, as some legends would come to mind. Indeed, it is an irrefutable romantic prose, surrounded by love and protection, a warm hug or a passionate elixir. Ambre Noir is one more surprise to the artisanship of the non-massive perfumery , where creator and creature share the same essence; before touching our respiratory system, Ambre Noir touches our fantasies and minds, I would say the fragrance can make us to have fun in the dark, or better, still have fun in the dark.


"Who cares about a word when feels"

Álvares de Azevedo, Solfieri tale


Italo Wolff is fragrance writer from Alagoas, Brazil and is collaborator for Perfume da Rosa Negra.


Photos credits, all reserved Sonomascentstudio.com
Review of Italo Wolff - copyright protected by Perfume da Rosa Negra

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