segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Perfume Review: Monk, Michael Storer


 


Uma perfumaria que tem atraído a minha atenção há alguns meses é Michael Storer. Michael tem uma história de quase 30 anos no círculo fechado da moda, com um forte desejo de mudar sua condição há alguns anos ele decidiu dedicar-se de modo integral a criar fragrâncias. Esse ardente desejo o levou a criar seis perfumes, acreditando sempre que as fragrâncias se afinam com o gosto e a atitude do usuário, ele tem como objetivo maior que a fragrância seja duradoura e perturbadora, mas que dialogue de modo sutil com os que a sentem.


Uma filosofia simples de que o perfume deve permanecer por toda a “noite” na pele e que ao “amanhecer” ele possa ser reanimado pelo mais dos sopros de ar, dessa forma Michael constrói perfumes com materiais exóticos e raros que  fazem o usuário sentir-se acariciado por um aroma único. 





Monk é um perfume que não pode ser sentido sem que haja um encantamento instantâneo, como um elixir poderoso e ao mesmo tempo perigoso, uma saída forte, e acinzentada por tons de fumaça e o ardor  sensual do óleo de mogno, substâncias altamente densas com seus cresóis e guaiacóis moléculas com odor próximo ao de tabaco e medicamentos, com uma suave mescla de alcatrão, que envolve esse momento inicial como se fosse um conhaque que evapora do copo e se mistura à fumaça de um cigarro em um ambiente fechado com luz baixa, em meio a esse momento denso há um tom cítrico e amargo de bergamotas. 

Depois de algum tempo sinto um tom acordes animálicos muito bem entrelaçados mostrando um caráter soft, como se para apaziguar a saída altamente densa e perturbadora, como se o musk e o âmbar envolvesse a civeta em um lenço macio de algodão bem rendado, deixando escapar apenas um cheiro filtrado dela, o tal lenço encontra-se ainda impregnado de cêra de abelha que nesse momento é bem perceptível.





Surge um momento noir durante a evolução, em meio às notas animálicas nas quais os tons de frankincenso começam a se condensar na forma de uma fumaça muito mais escura que a da saída, um forte cheiro de dióxido de carbono quase puro aparece misturado à doçura do absoluto de cacau e aos tons terrosos de sândalo, aqui percebe-se momentos adocicados, porém quentes no perfume, nada como etilmaltol(sintético da molécula aromática de algodão doce), os acorde doces de Monk são maduros e cremosos e que ainda assim preservam um leve toque de frankincenso e madeira de cedro em seu fundo.

            
Monk , além de ser bem construído, não deixa a pele um só minuto, forma uma aura  invisível, porém claramente perceptível que reluz em meio a outros aromas. De certo ele permanece toda a “noite” na pele e pode ser reavivado ao “amanhecer", para simplesmente ser unicamente Monk.


Italo Wolff é escritor de perfumes de Alagoas (Brasil) e colaborador exclusivo para o Perfume da Rosa Negra.



(English version)




One perfume brand which has attracted my attention for some months is  Michael Storer. Michael has a story of more than 30 years in the  fashion closed circle with a strong desire of changing his condition for years dedicating in a passionate way in creating fragrances. This ardent desire of making perfumes has taken him to believe always that his fragrances are to fit the good taste and the attitude of the wearer, he has as one key target to have long-lasting and daring fragrances, but able of dialoguing in a subtle way with those who smell them.


A simple philosophy that the perfume is expected to be kept on skin for all "the night" and, at the dawn, it can be revived  by a breath of the air, in this way, Michael Storer has created perfumes with exotic and rare raw materials that make each wearer feel touched by an unique scent.

Monk is a perfume that cannot be felt without having an inmediate enchantment, like a powerful elixir and, at the same time, dangerous, a strong and gray opening by smoke tons and the sensual ardor of mahogany oil, high dense ingredients with their cresols and guaiacols , molecules with an odour next to the tobacco and medicines, with a soft mixing of tar that covers this initial moment as if it were a cognac which evaporates from the glass and is mixed to the smoke of a cigarette in a closed  low-light environment, in the middle of this dense moment, suddenly, citrusy-bitter tones of bergamots are  evoked.

After some time, very enveloping animalic accords are smelt showing a soft character as if trying to fade the high dense and annoying opening, as if the musk and the amber would embrace the civet in a soft cotton scarf, letting scaping after a filtered scent of it and, then, the scarf  remains filled by a beeswax, now more perceptible.


A noir moment comes during the development, in the middle of animalic notes in which frankincense tones start to condensate into a darker smoke, a strong scent of carbon dioxide almost pure seems to be blended to the sweetness of the absolute of cacao and to the earthy tones of sandalwood, here sweet moments are evident, but warmer in the perfume, anything like  etilmaltol(synthetical of the aromatic cotton candy molecule), here the sweet accords of  Monk are mature and creamy and yet preserve the light touch of frankincense and cedarwood in its base.
            
Monk, besides a well-done fragrance, hasn't left the skin one minute, indeed, it forms an invisible aura, but clearly perceptible that sparkles in the middle of others aromas. Certainly, the fragrance lasts all the "night" on the skin and can be revived at the dawn, to be uniquely Monk.



Italo Wolff is fragrance writer from Alagoas, Brazil and is collaborator for Perfume da Rosa Negra

Perfume Review by Copyright Italo Wolff for Perfume da Rosa Negra.

Photo credits: Michael Storer.
Smoke art by Graham Jeffery - Sensitive Light . Image are licensed under a Creative Commons Attribution-Noncommercial 3.0 License. Attribute by a link back to this site, non-commercial agreement.

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